Onde os metadados moram
Um .docx, .xlsx ou .pptx é um arquivo zip com XML dentro, e as propriedades ficam em dois lugares previsíveis. Em docProps/core.xml estão autor, último a salvar, título, assunto, palavras-chave e as datas de criação e modificação. Em docProps/app.xml estão empresa, gerente, programa que gerou, modelo usado e o tempo total de edição.
Nenhum desses campos aparece ao abrir o documento. Todos aparecem ao clicar com o botão direito no arquivo e olhar as propriedades — que é o que a pessoa do outro lado faz.
Como limpar
A tabela mostra tudo o que foi encontrado, com os campos que identificam você em destaque e no topo — porque é por eles que se chega aqui.
- Solte o .docx, .xlsx ou .pptx na área de upload.
- Leia a tabela. O painel conta quantos campos existem e quantos deles identificam alguém.
- Apague. A tabela é RELIDA a partir do arquivo limpo, então o que você vê depois é o que de fato sobrou.
- Baixe a cópia limpa. O original no seu disco não é tocado.
Os três campos que mais vazam
ÚLTIMO A SALVAR é o pior. Ele guarda o nome de usuário do computador em que o arquivo foi gravado pela última vez, e num currículo enviado a dez empresas isso costuma ser o nome do PC de casa. Não é o nome que você escolheu pôr no documento; é o que o sistema operacional sabe sobre você.
EMPRESA guarda o nome da organização configurada na instalação do Office. Uma proposta comercial feita a partir do arquivo de outro cliente carrega o nome desse cliente, e é assim que se descobre que uma proposta foi reaproveitada.
TEMPO TOTAL DE EDIÇÃO diz quantos minutos o documento ficou aberto. Já foi usado para contestar prazo e para questionar quanto trabalho um entregável de fato deu.
A limpeza não decodifica o documento
Só os dois arquivos de propriedades são reescritos. Todas as outras entradas do zip — o texto, as imagens, as fórmulas, os estilos — são copiadas byte a byte, exatamente como saíram do arquivo original.
É a mesma escolha da remoção de EXIF, e pelo mesmo motivo: qualquer coisa que decodifique e regrave o conteúdo é um segundo lugar onde o documento pode se degradar. Aqui não há segundo lugar. Um teste de unidade compara as entradas byte a byte para garantir que continue assim.
Vazio em vez de removido
Os elementos são esvaziados, não apagados. O Office recria os que faltam na próxima gravação, e leitores mais estritos reclamam de um core.xml sem os elementos obrigatórios do Dublin Core.
Um elemento vazio não carrega informação nenhuma — a diferença entre esvaziar e remover é de forma, não de privacidade. Uma busca pelos bytes do arquivo inteiro não acha mais o nome, e é isso que o teste verifica.
O que a ferramenta não faz
Não mexe em comentários, em alterações controladas nem no histórico de revisões — essas coisas moram no corpo do documento, não nas propriedades, e apagá-las é editar o documento. Se o seu arquivo tem controle de alterações ligado, aceite-as ou rejeite-as no Word antes de enviar.
Também não toca em imagens embutidas: uma foto com EXIF dentro de um .docx continua com EXIF. Para isso, extraia a imagem e passe pela remoção de EXIF, que é byte a byte e está a uma navegação daqui.
Tudo roda no seu navegador. O arquivo não é enviado a lugar nenhum, e o medidor no topo da página mostra isso enquanto você trabalha — o que importa especialmente aqui, onde o arquivo é justamente aquele que você não quer que outra pessoa leia.