O player é o controle de tempo
Ninguém sabe dizer em que segundo está a cena que quer cortar. Todo mundo sabe parar o vídeo nela. Por isso os pontos de corte saem do player: você toca, para onde interessa, e clica em marcar início ou marcar fim.
É a mesma decisão que a extração de quadros tomou, e pelo mesmo motivo. Os dois campos numéricos ao lado existem para o ajuste fino depois — mover meio segundo, alinhar num número redondo —, não para adivinhar o ponto do zero.
Como cortar
A faixa abaixo do vídeo mostra o que ficou selecionado e onde a reprodução está. Os botões de ir para o início e ir para o fim levam o player até as marcas, para conferir o corte antes de aplicá-lo.
- Solte o vídeo, ou traga um da cadeia — uma gravação de tela feita aqui mesmo, por exemplo.
- Toque até o ponto onde o trecho deve começar e clique em marcar início.
- Siga até onde ele deve terminar e clique em marcar fim.
- Confira com os botões de ir para o início e o fim, e corte. A barra mostra o progresso e dá para cancelar.
A espera é do TRECHO, não do arquivo
Esta é a diferença prática entre cortar e recortar aqui. O recorte de área precisa que o vídeo inteiro passe, porque cada quadro tem de ser redesenhado. O corte por tempo posiciona no início marcado e toca só até o fim marcado — então tirar dez segundos de um vídeo de uma hora leva dez segundos.
A barra de progresso também é relativa ao trecho: cortar os últimos dez segundos de um vídeo longo mostra uma barra que anda de 0 a 100 nesses dez segundos, e não uma que já começa em 98%.
Por que ainda recodifica
Cortar um vídeo sem recodificar exigiria um demuxer: um programa que abre o contêiner, joga fora os pacotes de fora do intervalo e reescreve o índice, sem tocar nos quadros. É o que o ffmpeg faz, e trazê-lo significaria 25 a 30 MB de WebAssembly sob GPL — o mesmo argumento que o manteve fora da conversão para GIF, porque GPL contamina um produto vendido on-premise.
O caminho que sobra é o que o navegador oferece nativamente: tocar o trecho, desenhar cada quadro num canvas, capturar esse canvas como fluxo e gravar com o MediaRecorder — a mesma API do gravador de tela. O preço é uma geração de compressão, e num vídeo bem produzido ela é discreta.
É também por isso que a espera é em tempo real: o áudio só se captura acompanhando o relógio, e acelerar a reprodução entregaria a trilha com a duração errada.
O que a ferramenta recusa fazer
Cortar o vídeo inteiro. Se o início está em zero e o fim na duração total, não há o que remover — aplicar o corte só recodificaria o arquivo e acrescentaria uma geração de compressão por nada. A página diz isso e espera você marcar alguma coisa.
E não funciona em iOS: nenhum navegador de lá expõe o MediaRecorder, nem o Safari nem o Chrome, porque todos usam o mesmo motor. A página detecta ao abrir e avisa, em vez de deixar você marcar o trecho e falhar no fim.
Onde ele continua
O resultado é vídeo e entra na cadeia do módulo. As sequências que fazem sentido: gravar a tela, cortar a parte boa e virar GIF; ou cortar o trecho e extrair só o áudio dele, que é como se tira um corte de podcast de uma gravação longa.
Cortar e depois recortar a área também funciona, e nessa ordem é mais rápido — o recorte de área passa o vídeo inteiro, então cortar primeiro reduz o que ele tem de atravessar.
Tudo roda no seu navegador. O arquivo não é enviado a lugar nenhum, e o medidor no topo da página mostra isso enquanto você trabalha — o que num cortador de vídeo online não é o normal.