Como o recorte acontece sem ffmpeg
O caminho é o único que o navegador oferece hoje sem trazer 25 a 30 MB de WebAssembly sob GPL: o vídeo toca num elemento escondido, cada quadro exibido é desenhado num canvas do tamanho do recorte, e esse canvas vira um fluxo que o MediaRecorder grava. O áudio da origem entra no mesmo fluxo por um destino da Web Audio API.
É a mesma API que o gravador de tela já usa, e a mesma decisão de licença que manteve o ffmpeg fora da conversão para GIF — um produto vendido on-premise não pode carregar GPL.
Como recortar
O retângulo é desenhado com o mesmo componente que os dois censuradores usam: ele fala em porcentagem do quadro, então o recorte cai no mesmo lugar independentemente do tamanho em que o vídeo está sendo exibido na sua tela.
- Solte o vídeo, ou traga um da cadeia — uma gravação de tela feita aqui mesmo, por exemplo.
- Arraste sobre o vídeo para desenhar a área que fica. Desenhar de novo substitui a anterior.
- Escolha uma proporção se o destino exigir. A altura passa a acompanhar a largura que você desenhou.
- Recorte. A barra mostra o progresso e o tempo restante, e dá para cancelar a qualquer momento.
Leva o tempo do vídeo, e isso não tem como ser acelerado
Um vídeo de dois minutos leva dois minutos. A razão é o áudio: ele só pode ser capturado em tempo real, porque a captura acompanha o relógio e não os quadros. Aumentar a velocidade de reprodução entregaria a trilha com a duração errada, dessincronizada da imagem.
É o mesmo custo que o caminho de compatibilidade da extração de áudio já paga, e a resposta aqui é a mesma: anunciar antes, mostrar o tempo restante e oferecer cancelar. Uma barra que anda é muito melhor do que uma tela que parece travada.
É uma segunda geração de compressão
Recortar exige redesenhar cada quadro, e redesenhar exige recodificar. O que sai daqui passou por dois codificadores: o que gerou o vídeo original e o do navegador.
Num vídeo bem produzido a diferença é discreta. Num que já estava muito comprimido — um arquivo baixado, reenviado e recomprimido algumas vezes — ela aparece. Recorte sempre do melhor original que tiver, e o resultado será melhor pelo mesmo esforço.
As proporções, e por que elas existem
Livre é o padrão e serve para tirar uma borda, uma barra preta ou um pedaço da tela que não deveria aparecer. As quatro proporções fixas existem porque quase todo recorte de vídeo hoje termina numa rede social com formato exigido: 9:16 para Reels, Stories e TikTok, 4:5 para post de feed do Instagram, 1:1 para quadrado e 16:9 para YouTube e apresentação.
A proporção é aplicada sobre o retângulo desenhado, ajustando a altura. Uma coisa vale saber: os lados do arquivo final são sempre PARES. O H.264 exige isso e vários codificadores de VP8 e VP9 recusam ou distorcem um lado ímpar — um recorte de 301 pixels de largura falharia só no MP4 e só em alguns navegadores, que é o tipo de defeito que aparece na máquina de outra pessoa.
Onde ele não funciona, e onde ele continua
Em iOS, nenhum navegador expõe o MediaRecorder — nem o Safari nem o Chrome, porque todos usam o mesmo motor. A página detecta isso ao abrir e diz, em vez de deixar você desenhar o recorte e descobrir no fim. É a mesma limitação que impede o gravador de tela de funcionar lá.
O resultado é vídeo e entra na cadeia do módulo: recortar e então extrair o áudio, virar GIF ou extrair quadros acontece sem passar pelo disco. E o caminho mais natural é o contrário — gravar a tela aqui mesmo, recortar a região que interessa, e só então converter.
Todo o trabalho é feito no seu navegador. O arquivo não é enviado a lugar nenhum, e o medidor no topo da página mostra isso enquanto você trabalha.